PAZ E DIREITOS HUMANOS

26/01/2012


A presença da paz se manifesta quando os relacionamentos são justos: Quando o estrangeiro, os órfãos e as viúvas são respeitados; quando não se mata gente inocente, mas faz valer as regras do Deus Criador e das estruturas sociais básicas como a família e o Estado. A prática dos direitos humanos é necessária para a paz. Os profetas que apareceram em tempos diferentes da história humana, falando em nome de Deus, sempre mostraram ao povo e às autoridades, que o Deus de bondade e misericórdia, também era o Deus do Juízo contra o opressor e que defendia as causas dos menos favorecidos. Houve momentos em que as orientações divinas foram negligenciadas e a punição foi severa.

 

O primeiro passo para compreender o Deus da paz é entender que Ele exige justiça e que todos têm direito à justiça. O juízo de Deus é imparcial. Suborno, exploração dos mais fracos, abuso do poder nas diversas esferas de manifestação entre outros, são temas que insistem em acompanhar todos os momentos da história do homem e sempre foram condenados por Deus. A paz para existir e prosperar, precisa respeitar a justiça, oferecer oportunidades iguais para todos independentemente da raça, condição social, intelectual ou convicção política. A realização da justiça é o primeiro passo que possibilita a vigência da paz. Deus intervém e concede tranquilidade quando os homens são justos uns com os outros.

 

Em segundo lugar, todos tem direito a um abrigo. Quando uma nação era destruída, o remanescente migrava para lugares, onde havia leis claras sobre como o estrangeiro deveria ser tratado. Judá abrigava muitas pessoas de outros lugares segundo os ensinamentos de Deus que devemos nos comportar de forma despreconceituosa com os de fora. A paz se manifesta no bom tratamento que dispensamos aos outros. O próprio povo de Israel experimentou a vida em países estrangeiros. Não podemos negar o direito à comunidade, o respeito à vida e o direito de recomeçar para quem perdeu absolutamente tudo. Paz tem tudo a ver com o não maltratar e nem oprimir. Quando a paz está presente, não falta amparo para o desabrigado, não falta tratamento para o enfermo, nem oportunidade para o marginalizado.

 

Em terceiro lugar, a paz se manifesta com o direito à vida. A negação da vida se dá de duas maneiras: primeiro de modo ativo, quando se mata alguém e segundo de modo passivo quando destruímos os elementos que produzem e mantém a vida. Nossa sociedade mata, quando inviabiliza a saúde, quando deixar faltar alimento na mesa do pobre, quando não facilita moradia para os menos favorecidos, etc. A morte se torna uma realidade diária em uma sociedade sem o predomínio da paz. A vida só pode ser vivida quando se tem os meios necessários para mantê-la, e isso inclui salário digno, segurança de ir e vir, lazer e toda a lista de coisas que sabemos serem preciosas para o ser humano. Jesus ensinou sobre a importância da vida durante todo o seu ministério. O “pão nosso de cada dia” na oração dominical representa tudo o que é básico e necessário para se viver com dignidade. Ele também afirma que veio ao mundo para tenhamos vida em “abundância”. (João 10:10).

 

Perdemos a paz quando perdemos a capacidade de pensar livremente, de atuar racionalmente e ponderadamente. Nossa liberdade pessoal e responsável faz parte da libertação e da conquista da paz. A livre consciência, a capacidade de refletir e questionar não pode ser perdida porque perderemos também a paz. Quando se tem liberdade para pensar e expressar, mesmo sabendo que, ao sermos senhor dos nossos próprios atos, assumimos grande responsabilidade nos tornando pessoas que vivem e experimentam a paz.

 

Os direitos humanos básicos precisam ser preservados e cultivados. O Comandante Daniel Ortega ao se despedir do Papa no Aeroporto César Sandino disse: “O nosso povo pede paz, pressionado por uma situação de dor e martírio permanente. Nosso povo é crucificado todos os dias; reclama solidariedade com toda justiça e com todo direito”. Sair da miséria, lutar pela sobrevivência e para comer todos os dias é clamar por paz!
 
Que Deus conceda paz à nossa Pátria Amada!

Pastor Marcos José

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