DEIXA DE SER BOBO, TODO MUNDO FAZ

13/09/2010


Esta é a frase mais usada para justificar o comportamento ilícito. Ninguém escapa. O médico quer um “por fora” porque o plano de saúde não remunera bem; o empresário que molha a mão do fiscal para maneirar na hora da fiscalização; o vendedor dá uma comissão ao responsável pela compra para fechar o negócio; o comerciante vende sem nota para tributar menos ou sonegar; o consumidor compra produto pirateado porque é mais barato; na esfera política a prática já é quase legalizada e nem o judiciário escapa. Há uma lista quase interminável de comportamentos assimilados como “naturais” neste mercado selvagem.

Existem os criminosos que montam uma estrutura de mercado e governo paralelos e fazem fortunas de modo desonesto, e, existem aqueles que fazem por necessidade colocando-se à beira da calçada e estão mais para sobreviventes do que para imorais. Há uma distinção entre a transgressão como recurso emergencial, e a transgressão como meio de vida, embora ambos possam ser colocados no pacote do fracasso ético.

Aproveitando a definição filosófica, podemos afirmar que ética significa tudo aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma moradia saudável, materialmente sustentável, psicologicamente integrada e espiritualmente fecunda. A pergunta é: O que é moral e o que não é moral na busca desta melhoria do ambiente? Quando juntamos ética e moral, fazemos uma junção entre teoria e prática. Observamos valores, normas, princípios, costumes e do equilíbrio de todas estas manifestações criticamos e legitimamos o comportamento. A ética deve ser, portanto, aplicada moralmente através dos códigos legais. As leis são instrumentos de regulamentação social. Às vezes questiono a lei à luz da ética em casos como: O Ministério da Saúde obriga advertências nos produtos tóxicos como fumo e álcool. Os objetivos são a proteção do usuário e a promoção da justiça. Neste sentido o produto é tributado como instrumento de distribuição de renda. Tudo parece utópico à medida que nem a advertência, nem a tributação vão impedir que o consumidor sofra as consequências do uso na saúde física e relacional.

Precisamos nos lembrar de princípios que ultrapassam qualquer cultura. – As pessoas sempre valem mais do que os papéis que desempenham: o faxineiro é tão digno quanto o presidente da corporação; – Os relacionamentos sempre valem mais do que os negócios; – A fraternidade está acima do lucro; – A solidariedade está acima das posses. Nem tudo o que todo mundo faz é sábio. Precisamos acreditar que é possível construir um mundo melhor resgatando valores cristãos e praticando a honestidade.

Pr. Marcos José

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