CONTINUO ACREDITANDO NO BEM

28/07/2010


O mal é uma marca da atualidade e está presente em todos os lugares, desde os degraus inferiores da sociedade até os mais elevados andares do poder social e econômico do mundo. Esse tipo de mal que me refiro é mais forte do que qualquer enchente ou tempestade e causa estragos piores do que as catástrofes naturais. Recebemos todos os dias milhares de notícias relatando as mais variadas formas de maldade que nem podíamos imaginar na vida real. Escrevo sob o impacto dos últimos acontecimentos que me fazem pensar na vida como um filme de suspense ou terror, que às vezes geram em mim sentimentos de expectativa, outras vezes sentimentos de medo porque nunca sabemos o que vai nos acontecer hoje ou amanhã.

A maldade pode vir através de políticos e empresas predestinadas ao desvio de verbas públicas, colocando os brasileiros diante da corrupção sistêmica e aparentemente insuperável. Estamos em um ano eleitoral, mas cresce o desânimo porque a maioria já não acredita que existam homens e mulheres de bem queiram realmente mudar essa triste história em nosso país. A maldade também está presente nas ruas das nossas cidades, que vão, aos poucos, se confundindo com os cenários dos velhos filmes de faroeste, com a suspeita de que alguns policiais se acreditam mesmo encarnações de John Wayne. Crianças como Isabella Nardoni e milhares de outras são abatidas quase todos os dias. O mal tem muitas maneiras de mostrar suas garras: Ele pode se apresentar de maneira sofisticada nos gabinetes e escritórios, ou de maneira brutal e covarde como no infanticídio e nos outros homicídios com dose de crueldade. É o que temos visto no caso Marcela e Eliza, ou nos casos macabros e dos jovens de Luziânia, ou ainda o estuprador que fez mais de uma dezena de vitimas.

O mal pode mostrar suas caras nos palanques da ideologia como no caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), onde no exercício da violência, seja física ou psicológica, prevalece a máxima de que “os fins justificam os meios”. Na discussão sobre a legitimidade do poder vale tudo. A lista poderia se estender, mas estes poucos fatos são suficientes para alertar quanto ao maior mal que o mal pode causar, a saber, nos conduzir a não crer em mais nada, nem mesmo em Deus, nem sequer em nós mesmos, nem na vida. Uma frase de Musil um filósofo austríaco pode nos ajudar a acreditar que ainda há esperança: “O homem é capaz de tudo, até mesmo de fazer o bem“. Existe o mal, mas também existe o bem; existe o feio, mas também existe o belo; existe a brutalidade, mas também existe a ternura.

Construir coisas boas pode levar anos, destruí-las é questão de segundos. Quem destrói atrai a mídia, quem constrói tem pouca atenção dela. Contudo, por incrível que pareça, a generosidade de cada dia realizada por inúmeros anônimos que estão espalhados por ai, formam a base do tecido social que mantém nossa sociedade viva. Não fossem os que respondem sim ao convite do Deus que é pura bondade, o mundo ficaria em trevas, e a terra seria um lugar sem graça onde se viver. Eis o Cristo, triunfando, e mostrando sua face amorosa todos os dias, em todo lugar, através daqueles “que não se deixam vencer pelo mal, mas vencem o mal com o bem”.


Pastor Marcos José

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